terça-feira, 24 de novembro de 2009

As minhas experiências na aproximação ao Standard do Arlequim

Considero excelente trocarmos opiniões que possam levar a um melhor desenvolvimento do Arlequim, já que confrontando as nossas experiências, e sobretudo as nossas dificuldades, estamos com certeza todos a ganhar. Desta forma apresento a minha experiência relativamente ao desenvolvimento do Standard do Arlequim.

As espécies que vivem na actualidade descendem de outras espécies já desaparecidas, através de trocas havidas entre elas, preservadas pela herança e seleccionadas pela luta pela sobrevivência” Charles Darwin

Pelos resultados que tenho obtido, penso ser a forma a maior dificuldade, já que é necessário combinar dois aspectos em certa medida antagónicos, ou seja, o factor vermelho com o corpo esguio, isto porque o factor vermelho implica normalmente um peito arredondado, que não está de acordo com o Standard do Arlequim. Independentemente do destino que venha a ter a raça, vou procurar criar sempre aves que apresentem um corpo esguio pois considero-as com excepcional beleza.

A poupa também apresenta dificuldades, mas o que tenho registado é que neste caso a maior dificuldade é fixar esta característica pois quando se atinge uma poupa próximo da perfeição as gerações seguintes já não apresentam a mesma característica.

Quanto ao tamanho, o que tenho verificado é que, como trabalho sempre linhas de consanguinidade, sempre que se cruzam duas linhas diferentes o tamanho aumenta bastante, permanecendo as características que pretendo fixar. No entanto, neste aspecto, obrigatoriamente, temos que fazer selecções sucessivas e ter muita paciência, projectando sempre os resultados que pretendemos obter, para mais facilmente identificarmos o que fazemos bem e o que fazemos mal. Deste trabalho tenho verificado que a hereditariedade tem um peso grande, pois a mistura de genes de diferentes linhas conduz a um aumento do tamanho, ao contrário da consanguinidade como tinha referido. Mas não é a única condição, pois uma alimentação variada e rica também é fundamental, bem como o espaço utilizado pelas aves, já que penso que uma ave confinada a um pequeno espaço não terá o mesmo desenvolvimento a nível de estrutura óssea que aves que disponham de um espaço onde possam voar livremente (utilizo sempre espaços amplos onde as aves são obrigadas a esforços maiores). Por outro lado devemos escolher as fêmeas que põem ovos maiores quando queremos obter esta característica. Atendendo a que é uma raça em formação, temos que ponderar sempre o cruzamento com raças análogas, principalmente neste aspecto, embora também sou de opinião que devemos ter uma grande cautela e precaução, na medida em que esta mistura pode conduzir a defeitos no fenotipo muito difíceis de erradicar, no entanto sabemos que, no mundo da ornitologia, esta é uma prática comum na procura de melhores resultados. Tal como dizia De Vries “As coisas hereditárias são individualidades susceptíveis de mutar individualmente e em consequência a herança não é um todo, como o vinho que pode passar em jorro contínuo da garrafa ao copo, mas sim unidades que, como os bagos de uva, que se podem comer um a um.”. No meu caso pessoal só fiz experiências com Llarguet, que me tem dado resultados bastante favoráveis, mas também é utilizado o Bernês. São duas raças que apresentam algumas semelhanças de standard com o Arlequim. Neste ponto, recordo-me de, na Mostra de Arlequins de Coruche (julgo que em 2003), ter visto um exemplar, que teria já cerca de 16 ou 17 cm, de um conceituado criador, e de este dizer que o tamanho era fácil de atingir.

No que respeita à cor, um dos itens menos valorizado no Standard, é aconselhável que os casais (tanto o macho como a fêmea) vão sendo, ano após ano, tanto quanto possível, os mais variegados, o que faz com que a percentagem de aves excessivamente melânicas ou lipocromáticas vá diminuindo. No entanto não devemos esquecer que o Arlequim é obrigatoriamente variegado e portanto devemos fazer jus ao nome, pelo que por muito bom porte que ave possa ter, se não for uma “manta de retalhos”, não pode ser considerado um bom exemplar.

Em suma, o grande desafio é a selecção de aves para acasalamento, que deve ser criteriosa e com bastante rigor, pois é necessário prever o resultado final, para atingindo ou não, termos uma noção do trabalho que estamos a desenvolver, e nunca de uma forma aleatória, pois corremos o risco de obter um bom resultado sem saber como, hipotecando o futuro, os outros possíveis bons resultados. É pois necessária muita paciência e empenho para caminhar no bom sentido e permitir que o desenvolvimento do Arlequim seja cada vez maior. Mas também afirmo, para quem pensa que é algo impossível, que ano após ano a qualidade dos Arlequins, apresentados nas diversas exposições, tem aumentado extraordinariamente.

6 comentários:

  1. Concordo com todas as suas opinioes, servindo este meu comentario apenas para saber (caso pretenda responder) qual a sua opiniao acerca de cruzamentos pouco ortodoxos (assim penso eu) como aquele que pude verificar nas Portas do Minho. Refiro-me a um macho em exposição que sem qualquer duvida tinha sido resultado de um cruzamento com Yorkshire!

    É certo que os 16 cm estavam presentes, mas a que custo? Deformidade das linhas das costas? Sem pescoço definido?
    e no entanto foi pontuado com 87 pontos!!!

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  2. Caro amigo Upa Upa, (preferia tratá-lo pelo nome próprio), quero antes de mais agradecer a participação neste blog. Em relação à questão que levanta, penso que já respondi anteriormente quando digo “temos que ponderar sempre o cruzamento com raças análogas … embora também sou de opinião que devemos ter uma grande cautela e precaução, na medida em que esta mistura pode conduzir a defeitos no fenotipo muito difíceis de erradicar”. Eu também observei essa ave e concordo com a apreciação que faz. Compete ao criador ponderar se deve ou não utilizar essa ave em trabalhos futuros. Em minha opinião não a deveria utilizar pois não é uma raça análoga e transporta defeitos que muito dificilmente desaparecerão

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  3. Quanto ao Upa Upa, as minhas desculpas (Sou o Eduardo, conhecemo-nos em Famalicao, sou o amigo do Nuno.
    Quanto ao tema em questao, gostaria de lhe perguntar quais sao as raças analogas com que faz cruzamentos selectivos, visto a minha pouca experiencia nesse campo se resume ao Mosaico Vermelho.

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  4. Olá Eduardo
    Respondendo à questão que colocas repito o que digo no artigo “só fiz experiências com Llarguet, que me tem dado resultados bastante favoráveis, mas também é utilizado o Bernês. São duas raças que apresentam algumas semelhanças de standard com o Arlequim”. No entanto, ao longo destes anos, algumas das aves que nascem, revelam fenótipos semelhantes a outras raças, incluindo também o mosaico vermelho (genes que transportam de gerações anteriores), e que vou aproveitando para fazer experiências, pois são já possuidores de características que pretendemos no Arlequim. Em meu entender usar um canário Mosaico Vermelho na criação do Arlequim é um erro pois transmite características que não se pretendem, principalmente no corpo e forma (peito largo e muito redondo). Se pretendemos privilegiar este aspecto devem ser utilizadas aves arlequim com o factor mosaico bem marcado.

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  5. Realmente o resultado dos cruzamentos com o Mosaico não foram satisfatórios, a não ser o facto de o aspecto colorido.... as crias acabaram por sair com o peito largo de mais, e mesmo as cabeças ficaram demasiado "quadradas".
    Agora conto criar com elas para ver se a proxima geraçao (apos cruzamentos com individuos esguios, cabeça estreita, peito estreito, enfim mais proximos do standart do arlequim) se já se aperfeiçoa esses aspectos negativos do mosaico.

    Por muito que eu queira "experimentar" com outras raças analogas, aqui em Viseu torna-se dificil, porque não ha criadores de outras raças, a não ser as mais comerciais.
    Nas Lojas, pedir para me encomendar um bernês, ou coisa parecida é (alem de impossivel) um risco tremendo.

    de qualquer modo agradeço a tua troca de experiência!

    até uma proxima intervenção

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  6. Olá Eduardo

    Compreendo a tua dificuldade em encontrar uma solução. Eu senti-me na obrigação de entrar em contacto com o Paco Ibi Serrano e com o Jesus Cedillo a quem adquiri aves alguns anos. De qualquer forma o tempo que vais perder e a incógnita em relação aos resultados não justificam o teu empenho, pelo que sou de opinião que não deves usar essas aves em cruzamentos futuros, uma vez que te conduzirão para caminhos muito difíceis. Aconselho-te a procurar aves que já estejam trabalhadas e que apresentem as características que pretendes. Entre os criadores de Arlequim, principalmente aqueles que fazem esse trabalho à mais tempo, há as aves que procuras. Podemos sempre encurtar o caminho se sabemos onde queremos chegar.
    Um abraço

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